E agora, tchê?

As coisas neste Campeonato Brasileiro 2009 estão mudando tão rápida e drasticamente quanto as mudanças atmosféricas no Rio Grande. Não bastassem tantos e tão dramáticos eventos climáticos ocorridos por aqui neste ano terrível, agora estamos diante de um risco de potencial destrutivo avassalador em nosso orgulho gremista. O time de Mário parece que, inevitavelmente, vai disputar a Libertadores do ano que vem, pior do que isso, ainda segue meio vivo na briga pelo título do Brasileirão.

Viciado em rádio, devo confessar que fico colado a ele desde o momento que acordo até a hora em que volto a dormir, não sei dizer, por estes dias, o que está pior de se ouvir, se as previsões dos meteorologistas ou as dos comentaristas esportivos. O fato é que ninguém nos promete nada de bom, não para nós que somos gremistas.

Tenho que admitir que foi uma grande burrice ter confiado no Galo de Celso Roth, não tanto pelo time, mas muito mais pelo treinador. Celso parece não ter nascido para o sucesso no futebol. Vai ano, vem ano e o final da história é sempre o mesmo: o time que ele treina acaba perdendo. Não foi diferente desta vez. O ninguemnacional venceu a partida do Mineirão e colocou mais de um pé e meio na Libertadores. Agora basta que o time da beira do rio vença uma das duas partidas que lhe restam e estará classificado. Levando-se em consideração os dois adversários que enfrentará não se pode descartar que vença as duas. Bom para eles.

A briga pelo título, que eles esperam há trinta anos, já não é tão fácil assim. Se o São Paulo, que ainda é o líder, não perder para o Goiás, em Goiânia, vai acabar o campeonato na frente deles. Bom para nós. Enquanto isto, o Flamengo, que ontem desperdiçou dois pontos que talvez façam falta, estará enfrentando ao Corinthians, em São Paulo. Dos três que ainda podem ser campeões, qual interessa mais ao Timão? Por certo que não seria o São Paulo. Não acredito que a Fiel fosse achar bonito ajudar o Tricolor paulista a conquistar seu quarto título consecutivo. Seria então o time vermelho do sul? O time que os acusa de ladrões de campeonato, o time que fez até DVD denegrindo a imagem do clube paulista, o time que facilitou a vitória do Goiás em 2007, apenas para jogar o Timão na Série B? Não acredito que a Fiel prefira, entre estes três, outro que não o rubro-negro carioca. Bom para nós. Caso o Flamengo chegue na última rodada à frente do ninguemnacional, não tenho a menor dúvida de que, no que depender de nós, vai terminar o campeonato ainda à frente dele. Bom para nós.

E não me venham falar em honra e dignidade. Disto vamos falar mais tarde.

 

foto: jefferson botega

Nada é para sempre, até as mais duras rochas, com o tempo, acabam virando pó. Tudo passa, o tempo todo. Aliás, o tempo, outra coisa não faz senão passar. Não há razão para que se acredite que algo ou alguém irá durar para sempre, por mais que se goste deste tal algo ou tal alguém. Seja o que for, não duvide, vai passar.

Tudo passa, a dor passa, a tristeza e a felicidade passam também. O vento passa (hoje à tarde passou em alta velocidade). O medo passa, assim como o sentimento de perda e a saudade.

Tudo passa. Olhe pro lado e verá que uma bela jovem morena de saia curta passa com seu passo elegante. Sentiu o perfume? Ficou encantado? Não se incomode, já vai passar. Tudo passa.

A enlouquecida felicidade sentida após a conquista de uma Libertadores, com o tempo passa. A imensa dor de um vergonhoso fracasso passa também. Nada pode ser para sempre, tudo há de passar.

Haverá um dia em que quem escreveu este post terá se tornado passado. Não fique muito feliz, pois cada um que o tenha lido, um dia será passado também. O presente é efêmero, o futuro jamais é alcançado e o passado é o destino final. Tudo passa, tudo tem que passar.

Tudo passa e na cabeça de cada gremista, passa um monte de coisas diferentes, apenas não entendo como pode ter passado na cabeça de alguém que Tcheco iria durar para sempre. Tcheco se foi, já passou. Assim como outros, muito maiores e mais vencedores que ele, passaram também.

Não fiquem tristes, gremistas, foi só a ‘Era’ Tcheco que passou. Tinha que passar. Afinal, tudo passa, exceto a morte e a imortalidade. Imortalidade é para sempre.

 

A vitória valeu pouco para 2009. Quem sabe em 2010?

fotos: gremio.net

Não vi o jogo de ontem, nem ao menos o ouvi, desta forma quase nada sei sobre ele. Sei, por exemplo, que o Grêmio venceu o Palmeiras, que o jogo foi dois a zero, e que a vitória serviu muito menos a nós do que aos outros tantos interessados no resultado desta partida. Mas sei que a vitória serviu para a manutenção de nossa invencibilidade, o que é bom. Sei que Rafael Marques, que disse que faria o o jogo da sua vida, parece ter cumprido a promessa e fez o primeiro gol do jogo. Sei que Douglas Costa fez uma bela partida, o que já não surpreende mais ninguém. E sei também que Maxi López, autor do segundo gol, foi pura raça e dedicação durante todo tempo, o que também não é nenhuma surpresa.

Sei também que o Palmeiras teve dois jogadores expulsos ainda antes do início do segundo tempo, isso transformou uma reação, que já era algo difícil, em uma tarefa totalmente impossível, ainda mais dentro do Monumental. Sei que William Magrão começou a voltar à equipe, o que é ótimo. Sei também que se Autuori ainda fosse o treinador, provavelmente teríamos vencido da mesma forma, mas sei que fico muito feliz por Rospide, pois ele ao menos reconhece, ao contrário do antigo treinador, que o Grêmio tem sua própria cara.

Bem, enfim isso é o pouco que sei sobre a vitória de ontem, uma vitória que não fará grande diferença no resultado final da temporada gremista em 2009, mas que nos dá ao menos a sensação de que as coisas não estavam tão ruins quanto diziam alguns, assim como nos dá também a esperança de que as coisas podem ser bem melhores no ano que vem se as fizermos do jeito certo, ou seja, do nosso velho jeito castelhano.

 

GRÊMIO 2 x 0 PALMEIRAS

Foto: Alexandre Alliatti - GLOBOESPORTE.COM

Grêmio: Marcelo Grohe, Willian Thiego (Willian Magrão), Rafael Marques, Réver e Lúcio (Bruno Collaço); Adílson, Maylson (Herrera), Fábio Rochemback, Souza e Douglas Costa; Maxi López. Técnico: Marcelo Rospide.

Palmeiras: Marcos, Figueroa, Danilo, Maurício e Armero; Sandro Silva, Pierre, Deyvid Sacconi e Diego Souza; Ortigoza (Marcão) e Obina. Técnico: Muricy Ramalho.

Gols: Rafael Marques, aos 45 minutos do primeiro tempo. No segundo tempo, Maxi López, aos 25.

Cartões amarelos: Lúcio (Grêmio); Maurício, Armero e Pierre (Palmeiras).

Cartão vermelho: Maurício e Obina (Palmeiras).

Estádio: Olímpico.     Data: 18/11/2009.

Público Total: 14.521     Renda: R$ 231.233,00

Árbitro: Héber Roberto Lopes (Fifa). Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa) e Alessandro Álvaro Rocha de Matos (Fifa).

 

essa é a fortaleza que nos faz invecíveis

"Jogaremos pela dignidade do clube."

Não creio que dirigentes e atletas do Grêmio, nas últimas semanas, tenham usado outra expressão mais do que esta. Não creio que os torcedores tenham ouvido alguma outra mais do que esta. Alguns já estão até cansados dela, já não querem mais ouvi-la e nem a consideram correta. Há quem acredite que, ao dizer agora que joga por dignidade, o Imortal confessa que antes não jogava. Talvez estejam certos, mas eu duvido disto. Desde o início de sua vida, o Imortal sempre jogou por sua dignidade. Em 2009 não foi diferente, exceto aquela palhaçada feita em Caxias do Sul, no Gauchão, sempre tivemos alguma dignidade em campo.

O que entendo é que quando começamos a dizer que jogávamos por dignidade, estávamos apenas reconhecendo o fracasso que foi a temporada. Desde o início do Campeonato Brasileiro o Tricolor vinha jogando por três motivações diferentes, por sua dignidade, pelo título da competição e até por uma vaga na Libertadores. De umas dez rodadas para cá começou a ficar evidente que não conquistaríamos o título, passamos a jogar então por nossa dignidade e uma vaga na Libertadores. Pois a vaga também já não é mais possível para nós. O que restou então? Restou a dignidade como a última motivação para os jogos restantes. Isso é tudo o que restou, tudo o que podemos salvar. Pois que a salvemos. O Grêmio vem jogando por sua dignidade desde sempre, mas jogar unicamente por dignidade é coisa que começou há algumas poucas rodadas. É assim que eu entendo.

Particularmente o jogo de amanhã ainda tem uma razão a mais para a entrega total de time e torcida: a invejada invencibilidade em casa. Nossa longa invencibilidade (ainda que exclusivamente doméstica), não duvidem, causa inveja em muita gente gaúcha. Não assumem isso, não admitem que a sentem, mas no fundo torcem desesperadamente para que a percamos de uma vez. Pois bem, faltam apenas mais dois jogos no Monumental antes do encerramento da temporada, se conseguirmos ir bem na partida de amanhã, mesmo com tantas baixas, provavelmente até vençamos ao Barueri. Se for mesmo assim vamos levar nossa invencibilidade para o ano de 2010. Vamos encerrar esta temporada sem conhecer derrota em nossa própria casa e vamos saudar ao Grêmio por nos fazer felizes e nos encher de dignidade.

 

Nós somos Grêmio. Nós somos ‘Pegada’.

fotos: vipcomm e finalsports

Para quê perdermos tempo com argumentações desnecessárias? Autuori era apenas um treinadorzinho arrogante, pouco educado e incompetente que teve sorte algumas vezes em sua carreira. Claro que jamais poderemos afirmar com certeza, mas para sempre  e sempre poderemos imaginar que se essa deprimida, deprimente, desanimada e desanimadora figura não tivesse assumido o comando do Grêmio na Libertadores, se tivéssemos seguido com Marcelo Rospide, talvez tivéssemos chegado à final de ‘La Copa’. Não posso jurar que sim. Quem pode jurar que não?

O Grêmio tem cara. Pelo amor de Deus, o Grêmio tem cara. Nosso Tricolor não nasceu para apenas jogar futebol, nasceu para esforçar-se, superar-se, ser diferente dos outros. O Grêmio nasceu para ser ‘Pegador". No ‘Grêmio Pegador" até Herrera faz gol. Não consigo acreditar que existam entre nós, alguns que não saibam quem somos. Somos o que fomos ontem. Um time que jamais aceitará perder.

Eu já não sou mais criança, há décadas que não sou, porém se eu fosse ainda um piazinho e recém estivesse aprendendo a amar o Grêmio, eu ontem me sentiria muito orgulhoso. Ontem nós fomos Grêmio.  Ainda que Tcheco e Rochemback não sirvam pra nada, nós fomos Grêmio. Ontem nós fomos Grêmio. Vai ver que isso aconteceu porque Souza estava suspenso.

Não há o que discutir, não há nada a fazer. Nós apenas somos o Grêmio. E isso é tudo o que sabemos ser.

Valeu, Rospide. Valeu, Tricolor. Sejamos sempre assim.

 

CRUZEIRO 1 x 1 GRÊMIO

Foto: Gil Leonardi/Lancepress

Cruzeiro: Fábio, Jonathan (Guerrón), Gil, Leonardo Silva e Diego Renan; Fabrício (Fabinho), Marquinhos Paraná, Henrique e Gilberto; Thiago Ribeiro (Soares) e Wellington Paulista. Técnico: Adilson Batista.

Grêmio: Victor, William Thiego, Rafael Marques, Réver (Maylson) e Fábio Santos; Túlio, Adílson, Fábio Rochemback e Tcheco (Herrera); Douglas Costa (Lúcio) e Maxi López.Técnico: Marcelo Rospide.

Gols: Gilberto, aos 20, e Herrera, aos 46 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Gil, Guerrón (Cruzeiro); Tcheco, Túlio, Victor, Rafael Marques, Herrera, Fábio Santos (Grêmio).

Cartões vermelhos: Túlio e Fábio Santos (Grêmio).

Estádio: Mineirão.    Data: 14/11/2009.

Público: 51.534.    Renda: R$ 809.777,24.

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique. Auxiliares: Erich Bandeira (PE) e Hilton Moutinho Rodrigues (RJ).

A cara do Grêmio

A nova farda.

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