Nós vamos ver o Araguaia. Será que eles verão o Guaiba?
Via de regra todos aqueles que enfrentaram o Grêmio neste ano conseguiram se transformar em grandes adversários, todos eles chegaram até a saírem ganhando o jogo. Todos menos um. O Universidade perdeu muito fácil para o Grêmio. Resta uma dúvida: será que ele foi a exceção ou será que foi o início de uma nova regra?
O jogo de amanhã, que depois de tantas alterações de horário parece ter voltado para o original às 19:30,horário de Brasília, pode ser que sirva para esclarecer um pouco esta dúvida. Não acho que exista algum gremista, exceto os que moram no Mato Grosso, que tenha conhecimento verdadeiro sobre o adversário que o Grêmio vai encontrar pela frente amanhã. Que time é esse Araguaia Atlético Clube?
Não acho que seja tarefa simples querer adivinhar o resultado do jogo de amanhã. Se ainda estivéssemos nos tempo de nosso velho Grêmio copero e pegador, nem teríamos o que discutir, o Grêmio iria golear e pronto.
Infelizmente, as coisas já não são mais como naqueles tempos, a verdade é que o Tricolor pós Guerreiro/ISL parece não ter ainda reencontrado seu caminho. Não podemos esquecer que na Copa do Brasil de 2008 o Grêmio, que deveria ter eliminado ao Atlético-GO no primeiro jogo, não apenas não conseguiu, mas também foi eliminado pelo clube goiano dentro do Monumental. Eu posso estar exagerando ou sendo excessivamente exigente, mas acho que a verdade é que o Grêmio há muito tempo, não de hoje, vem conseguindo jogar de igual para igual contra clubes aos quais deveria simplesmente patrolar. Com todo o respeito ao Araguaia, mas esse é o tipo de adversário que não deveria deixar nenhum gremista em dúvida, esse é o adversário que, pela própria natureza das coisas do futebol, tem que ser patrolado e ponto final.
No entanto eu não ousaria afirmar que o Grêmio vai vencer o jogo, que vai voltar classificado para a próxima fase. Não conheço o Araguaia, não sei do que ele é capaz, mas conheço (espero) o nosso Grêmio e sei que nestes últimos anos o Grêmio tem sido capaz de ’se enrolar’ com qualquer adversário, até com o Caracas. Ou alguém não lembra de como o Grêmio conseguiu avançar às semifinais da Libertadores em 2009? Foi zero a zero, dentro do Olímpico, levando sufoco no finzinho. Escapamos pelo gol qualificado.
Por essas coisas é que digo que se fosse por sua história centenária e sua tradição vitoriosa, o Grêmio massacraria o Araguaia, faria uma goleada como fez certa vez contra o Rondonópolis e voltaria já classificado, mas como sei que as coisas já não são mais exatamente assim, acredito que o Araguaia corre um sério risco de ter que viajar até aqui. Não digo isto por causa de Silas e seu time em construção, não digo por causa de Duda ‘pinta de playboy’ Kroeff ou do Dr. Meira, digo isto em razão de que me parece que é assim que o Grêmio tem sido nesta última década.
Tomara que amanhã seja tudo muito simples, que seja como nos velhos tempos. Tomara que o Grêmio seja, mais uma vez, o grande Grêmio que em algum lugar do passado quedou-se esquecido e só precisa ser reencontrado. Tomara que seja amanhã. Tomara que a vitória contra o Universidade não tenha sido apenas a exceção confirmadora da regra. Tomara que tenha sido o começo da nova (velha) regra.
Uma boa estreia e um tão desejado retorno. Temos motivos para comemorar.
Ainda não foi desta vez que assistimos a primeira grande atuação do Grêmio em 2010, mas ao menos tivemos a chance de comemorar nossa primeira grande vitória, o que já é um avanço em se tratando de um time que, como diz o treinador, "ainda está em construção".
Silas mandou a campo, ontem, um time que parecia disposto a marcar o primeiro gol da partida, coisa que ainda não havia acontecido neste Gauchão. Atacando desde o início e contando com uma ótima atuação de Jonas, o Tricolor criou boas chances logo no começo do jogo. Borges, antes de marcar seu primeiro gol, já havia desperdiçado duas oportunidades, daquelas que normalmente chamamos de imperdíveis. Borges iniciou a partida me fazendo, mais uma vez, relembrar Peréa, porém desta vez não foi preciso ter muita paciência com nosso centroavante que, além do gol marcado logo aos 11 minutos, marcou ainda outros dois, o terceiro deles foi coisa de grande jogador, Borges agora já é o artilheiro gremista na temporada.
Outros destaques da partida foram a grande atuação de Jonas, que além de marcar um gol (na verdade um gol e meio), criou várias outras chances, e a boa estreia de Douglas, jogador de um futebol bem mais coletivo do que o dos individualistas Hugo e Souza.
Sem muitas alternativas, Silas escalou um time que, aparentemente, não teria muitas chances contra algum adversário menos fraco do que o Universidade, com Mário na lateral e uma dupla de zaga formada por Rafael Marques e Maurício, o Imortal acabou foi ficando mesmo sem zaga e sem lateral. Menos mal que Rochemback teve, finalmente, uma atuação razoável, não foi nada de especial, mas Rochemback foi ao menos inteligente, limitou-se ao papel de volante, guardou posição no meio campo e deixou o papel de correr ‘à moda louco’ para o jovem Maylson, verdadeiro especialista neste tipo de tarefa.
Não foi um grande jogo, não foi nenhuma atuação magnífica, mas temos alguns bons motivos para comemorar, especialmente o retorno de Willian Magrão aos gramados que, desta vez, espero que seja para ficar.
UNIVERSIDADE 1 x 5 GRÊMIO
Universidade: Espada; Thiago Junio, Anderson e Marquem; Marcos Tora(Coelho), Doriva, Jé, Leo Dias e Rodolfo(George); Cleiton(Preto); Leandro Rodrigues. Técnico: Lorival Santos.
Grêmio: Victor; Mário Fernandes, Rafael Marques, Maurício e Lúcio; Ferdinando(W.Magrão), Fábio Rochemback, Maylson e Douglas (Mithyuê); Jonas(Bergson) e Borges. Técnico: Silas
Gols: Borges, aos 11 e aos 36 minutos do primeiro tempo; Jonas, a 1; George(contra), aos 10; Coelho, aos 29 e Borges, aos 36 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Douglas, Maylson e Ferdinando (Grêmio).
Estádio: Complexo Esportivo da Ulbra. Data: 07/02/2010.
Público: Renda:
Árbitro: Leonardo Gaciba. Auxiliares: Alexandre Kleiniche e José Inácio de Souza
Mesmo que a FGF tenha de pronto acatado a decisão da justiça que determinou a alteração do horário da rodada de hoje e transferido todos os jogos marcados para às 17 horas, no caso do jogo Universidade x Grêmio, em Canoas, que faria parte da grade de programação da TV detentora dos direitos de transmissão do Gauchão 2010, relutou ainda por algum tempo e somente ontem o jogo foi confirmado para às 19:00. Depois da insana atitude de obrigar a realização do jogo sob a temperatura senegalesca da tarde de terça-feira, tudo o que não se comentou foi o jogo, a alta temperatura dominou as manchetes e comentários desde aquele dia até o de hoje. Surgiram entre os jornalistas esportivos muitos ‘especialistas’ em hidratação, sensação térmica, irradiação solar e sei lá quantos outros termos surgidos a partir daquela malfadada partida sem público. Somos todos torcedores, adoramos futebol e, enfim, precisamos estar ligados nos profissionais da mídia esportiva.
O quê devemos desejar de um profissional de mídia? Penso que compromisso com a verdade dos fatos e isenção na análise dos mesmos seriam características bem desejáveis para esse tipo de profissional. Mas será que é isso que podemos esperar deles?
Escutava, na sexta-feira, dia 5, o programa Sala de Redação e o assunto era a ação movida pelo Sindicato dos Atletas que resultou, em caráter liminar, na proibição da realização de jogos de futebol entre as 10 e as 18 horas em todo o estado do Rio Grande do Sul. Entre tantas argumentações apresentadas, não consegui identificar ninguém além do grande Cacalo que parecesse estar preocupado com os atletas, todos pareciam muito mais interessados em defender o direito da emissora de TV que adquiriu os direitos de transmissão do campeonato, por coincidência, a mesma que apresenta o programa Sala de Redação. Depois de muitos discutirem, um deles decidiu lançar o argumento(?), aquele que encerraria a discussão: quem paga manda, disse ele.
Meu Deus do Céu, que argumento é este? O que esperar de um jornalista que pensa assim, que acredita nisto? Um profissional deste naipe só tem, eu acredito, um único e grande objetivo na hora em que relata um fato ou opina sobre ele: agradar o patrão. Um homem assim está pronto para dizer qualquer coisa que lhe for mandado e ainda sair jurando que aquilo é a mais absoluta verdade, ainda que saiba que não é, se o patrão mandar, ele jurará que é verdade. Será que esse pobre infeliz acredita que ao contratar o trabalho de um ser humano, a empresa compra também o seu corpo físico, a sua vontade, a sua liberdade, será que ele acha que o dono de uma empresa, além de ser o patrão, é também o dono do funcionário?
Não espero nenhum nível de isenção de nenhum sindicato. Seria até ridícula a existência de um sindicato isento e imparcial. Sindicatos têm, obrigatoriamente, que verem tudo por um ângulo só, que é o do interesse da classe que representa, têm que serem enérgicos e, se necessário, radicais na defesa deste interesse. Mas não posso esperar nenhuma isenção também do jornalista que fez uso do tal argumento(?), nem tampouco daqueles que concordaram com ele. O jornalista parece não ter percebido que, caso fosse lógica esta sua ideia da relação empregado-empregador, o único nazista que poderia ter sido julgado seria o próprio Hitler, que era o soberano da Alemanha nazista, o chefe supremo, aquele que pagava o salário e que portanto, segundo essa ideia absurda, era aquele que mandava. Não deve ter se dado conta, o jornalista, de que é da renda de cada partida que sai o dinheiro destinado ao pagamento dos árbitros; sendo assim, se são os clubes que pagam a arbitragem, deveriam então juiz e bandeirinhas fazerem, no momento da partida, aquilo que lhes determinassem os capitães e os treinadores dos times disputantes. Já pensaram que interessante seria um jogo onde a arbitragem tivesse de obedecer e agradar aos dois times?
Não dá para esperar nada de jornalistas assim. Não dá para esperar nada do presidente da FGF, Francisco Noveletto, que oportunisticamente já passou a ameaçar os atletas de ficarem sem salário, não dá para esperar nem mesmo que as pessoas comecem a encarar o excesso de sol e calor como um fenômeno natural tão nocivo à prática quanto o excesso de chuva ou neve, capaz então de justificar o adiamento ou simples atraso de um jogo. Não dá para esperar que pessoas como as que hoje dominam o futebol deixem de vê-lo como um negócio capaz de gerar muitos ganhos a elas (mais até que aos próprios clubes) e passem a vê-lo como ele realmente é, um esporte encantador, capaz de arrastar bilhões de corações apaixonados por todo mundo, capaz de comover até os tiranos mais cruéis, capaz de interromper guerras, capaz até de gerar muitos e muitos bilhões de euros, mas mesmo assim ainda é um esporte. E no esporte, a menos que me engane, nada pode ser mais importante do que o atleta.
O que eu acho que dá para esperar, se o ‘business’ continuar sufocando o esporte. O único objetivo daqueles que dirigem o futebol ‘moderno’ é o lucro líquido, pois esse lucro está liquidando o esporte. Esses senhores ávidos por fortuna ainda vão acabar matando a galinha dos ovos de ouro. Em dias como aquele três de fevereiro de 2010, não se pode jogar futebol. Um jogo que, em nome dos direitos da TV, ninguém pode ver pela TV em razão do próprio horário. No Monumental quase ninguém compareceu. Enquanto isso, no Parque Lami, no jogo entre Porto Alegre e Santa Cruz, não duvido que tenha havido só o sol por testemunha.
Agora o inexperiente Silas já aprendeu que o Monumental é um caldeirão. Foi isso que o estádio foi ontem, literalmente.
O fato do jogo de ontem ter sido marcado para as 17 horas, por si só, nada tinha de absurdo, afinal, este é o horário dos jogos de fins-de-semana. O inusitado da coisa é que ontem não era um fim-de-semana, ontem era, sabidamente, um dia útil e portanto qualquer idiota poderia adivinhar que o público seria bastante reduzido. Eu sei que a cota de televisionamento garante um bom dinheiro ao clube, mas é preciso que alguém perceba que esse tipo de acordo é um desrespeito aos associados que, por estarem em horário de trabalho, não tiveram como assistir à partida e assim fazer uso do direito que o pagamento da mensalidade deveria, supostamente, lhes garantir. Sei que muitos andaram afirmando que não havia como ‘adivinhar’ que a tarde estaria tão quente ontem. Ora, todas as previsões dos dias anteriores indicavam que a temperatura de ontem seria bem mais alta do que o normal para uma cidade como Porto Alegre, mesmo no Verão. Todos sabiam. Ainda que não soubessem, se jogos são transferidos por excesso de chuva, se na Europa rodadas inteiras são adiadas por excesso de frio e acúmulo de neve, porquê não adiar um jogo por excesso de sol ou calor? Não dá para entender que pessoas ditas ‘responsáveis’ aceitem, em nome exclusivo e único do dinheiro, sujeitar atletas que custam milhões de reais em folha salarial, às incontroláveis consequências de disputar um jogo sob aquelas condições. Tudo bem, já passou. Ironicamente a única vítima, além dos associados, foi mesmo o funcionário da empresa de TV paga que ‘exigiu’ o horário e que, com a conivência da Federação e da direção do Tricolor, acabou conseguindo.
Ainda que o calor fosse desumano, não foi essa a principal razão do novo fracasso do time de Silas no Campeonato Gaúcho de 2010. Ontem o Grêmio completou sua sexta má atuação em seis jogos. Não é fácil manter no cargo um treinador que jamais conseguiu fazer o time apresentar um bom rendimento. Sei que Silas já não está mais com os dois pés no Olímpico, sei que sua saída pode se dar antes do início do segundo turno, basta que fracasse contra o Araguaia, basta que perca o próximo Gre-nal – se é que o Grêmio vai conseguir chegar a ele. Criticado, há muito, pela imprensa especializada, Silas foi vaiado pela torcida na tarde de ontem. Isso já é mais de meio caminho em direção à saída.
Mas como julgar o acerto ou erro no trabalho de um treinador senão por suas escolhas? Quais foram as escolhas erradas de Silas na escaldante tarde de ontem para que merecesse as vaias recebidas? Sei que muitos gostariam que Mário Fernandes permanecesse na lateral direita (as atuações de Joílson só fazem reforçar esse gosto da torcida), entretanto eu, que sempre preguei a utilização do jovem Mário ‘Doril’ na zaga, não tenho como criticar o treinador por escalá-lo de zagueiro. Isso força, naturalmente, a utilização do esquema (que eu não gosto) 3-5-2 e, em consequência, a escalação de Joílson como ala. Sei que muitos gremistas poderiam afirmar que essa foi uma escolha errada. Ora, iriam preferir o quê? Que Mário fosse o lateral e que o Tricolor aparecesse com uma dupla de zagueiros formada por Rafael Marques e Maurício? Ora, convenhamos. Silas não é culpado da direção ter negociado Léo e Réver, não é culpado de que Willian Magrão permaneça, após quase um ano, ainda lesionado, não é culpado de que Leandro fique mais tempo no departamento médico do clube do que no campo, Silas não tem culpa do afastamento temporário de Souza (ídolo de tantos gremistas). Enfim, Silas não tem culpa de todas as coisas. Não acho que o treinador tenha feito muitas escolhas erradas ontem, acho, isso sim, que lhe faltaram alternativas.
Claro que o treinador também não é completamente inocente e, embora poucas, errou em algumas escolhas. Errou, por exemplo, ao escolher Hugo para compor a equipe quando ele mesmo, Silas, sabia que o atleta estava doente. Escalar um homem doente para um jogo com as características emocionais (o Grêmio vinha de derrota no Gre-nal) e climáticas como o de ontem é, sem qualquer exagero, atitude criminosa. A escalação de um jogador sabidamente febril para disputar um jogo como aquele de ontem é um caso de polícia, ou no mínimo para o Sindicato dos Atletas. Essa foi uma péssima escolha. Não foi, no entanto, a pior delas. A mais errada de todas as escolhas de Silas ocorreu na entrevista pós-jogo. Silas, ao usar a palavra cumplicidade, melhor faria se tivesse escolhido usar a palavra compreensão. Ainda assim, ainda que tivesse escolhido a palavra mais certa, Silas estaria incorrendo em grave erro. Erro de principiante. Nunca, meu querido Silas, nunca, jamais, em tempo algum, espere, deseje, ou muito menos peça, qualquer coisa da mídia esportiva gaúcha, pois jamais terás nada dela. Ao menos não enquanto estiveres no Grêmio. Caso algum dia, meu ingênuo Silas, estiveres trabalhando na beira do rio, aí então sim peças tudo o que queiras. Se bem que daí nem vai ser preciso pedir.
GRÊMIO 1 x 1 SÃO LUIZ
Grêmio: Victor, Mário Fernandes, Rafael Marques e Maurício; Joílson (Maylson), Ferdinando, Adilson (Fábio Rochemback), Hugo (Fábio Santos) e Lúcio; Jonas e Borges. Técnico: Silas.
São Luiz: Oliveira, Marcelo Oliveira, Vanderson e Bronzatti; Jonatan, Beto Fronza, Rudiero (Baiano), Jean Paulo (Nicolas) e Xaro; Luciano Fonseca (Bruno Soares) e Eraldo. Técnico: Beto Campos.
Gols: Vanderson, aos dois, Borges, aos 26 do segundo tempo.
Cartões amarelos: Fábio Rochemback, Maylson e Maurício (Grêmio); Bronzatti e Baiano (São Luiz).
Estádio: Olímpico, Porto Alegre, RS. Data: 03/02/2010.
Público Pagante: 4.170 Público Total: 4.746 Renda: R$ 62.132,00
Árbitro: Fabrício Corrêa. Auxiliares: Vilmar Burini e Tatiano Freita


























